5. COMPORTAMENTO 9.10.13

1. QUERIDA, ENCOLHERAM O APARTAMENTO
2. ESTILISTAS DE CINEMA
3. O ASSASSINO DO FACEBOOK
4. OS PRIMEIROS PROTESTANTES BRASILEIROS
5. TO PERIGOSA QUANTO A DEPRESSO PS-PARTO
6. EXAGERO NA RSSIA

1. QUERIDA, ENCOLHERAM O APARTAMENTO
A metragem dos imveis vem caindo e a procura por compactos de um quarto s cresce. O estilo de vida das metrpoles e o apetite dos investidores impulsionam esse mercado
Camila Brandalise e Joo Loes

 LAR, DOCE LAR - Sem planos de aumentar a famlia, Ana Paula e Roberto Rodrigues compraram um apartamento de um quarto e apostam na valorizao dele 
 
Nas grandes metrpoles do mundo, onde a falta de espao  crnica e o preo do metro quadrado beira a estratosfera, os imveis pequenos so a regra. S os muito ricos conseguem morar nas reas nobres e centrais da cidade em amplos apartamentos, com vrios quartos, dependncia de empregada e varanda gourmet. Essa tendncia est chegando ao Brasil. Em So Paulo, a casa prpria  sonho de dez entre dez brasileiros  est cada vez menor. Desde 2007, a rea mdia dos imveis diminuiu 30% (caiu de 102,33 m2 para 71,58 m2) e o mercado de apartamentos de um quarto explodiu. Enquanto as vendas no setor cresceram 46% comparando-se o primeiro semestre deste ano com o mesmo perodo de 2012, no segmento de um dormitrio o salto foi de 330%, segundo dados do Sindicato da Habitao (Secovi-SP). A expectativa  de que sejam comercializadas entre 7,5 mil e 8 mil unidades este ano, um recorde. 

O principal motivo do boom dos compactos  financeiro. Como as aplicaes tm apresentado menor rendimento, as pessoas esto recorrendo aos imveis para fazer o dinheiro render, seja pela valorizao, seja pela locao. Nesse segmento, 90% das unidades so adquiridas por investidores, diz Bruno Vivanco, vice-presidente comercial da Abyara Brasil Brokers. Mas a demanda por apartamentos diminutos tambm  motivada pelo estilo de vida de quem mora nos grandes centros urbanos, onde as pessoas preferem viver perto do trabalho, de eixos de transporte coletivo e em reas onde est disponvel uma vasta gama de servios. Alm disso, as famlias diminuram e so formadas mais tarde, diz Maria Lucia Refinecci Martins, professora da rea de planejamento urbano e regional da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU), da Universidade de So Paulo (USP). De acordo com ela, o quadro atual do mercado imobilirio  outro fator importante para impulsionar esse mercado. O preo do metro quadrado subiu muito nos ltimos anos; com isso as pessoas s conseguem pagar imveis menores, diz ela.

De olho nesse filo, as construtoras multiplicam a oferta de compactos. Hoje eles representam 30% dos nossos lanamentos em So Paulo,  uma participao muito maior do que no ano passado, diz Ftima Rodrigues, diretora-geral de vendas e lanamentos da imobiliria Coelho da Fonseca. O fenmeno  mais visvel na capital paulista, mas outros centros urbanos tambm comeam a vivenciar essa situao, como Rio de Janeiro, Distrito Federal e Goinia. O Rio, no entanto, tem uma particularidade. Embora exista demanda, a oferta ainda  escassa. No primeiro semestre de 2013, foram lanadas apenas 151 unidades residenciais de um dormitrio na cidade, enquanto os demais somaram 5.755 unidades. Percebemos que h um grande interesse pelos apartamentos menores. Mas ainda h certa resistncia em relao aos de um quarto, afirma Leonardo Schneider, vice-presidente do Sindicato da Habitao (Secovi-RJ). A cultura imobiliria da cidade, segundo ele,  de associar espaos menores a construes antigas. 

O aquecimento do setor tambm vai influenciar outras reas do consumo, como a de mveis adequados a espaos diminutos. Dono da empresa Mobili Inteligente, que importa mveis transformveis, Jr. Pimenta percebeu esse novo mercado h dois anos. Vi muitos lanamentos de 30 m e 40 m e conclu que os mveis tradicionais no caberiam nos ambientes. Resolvi investir, afirma ele, que aposta num forte crescimento em 2014. Do catlogo da Mobili, Pimenta destaca o sof que vira beliche.  fcil de usar e economiza espao.

Sem planos de aumentar a famlia to cedo, o vendedor Roberto Rodrigues Medeiros, 25 anos, optou por comprar um apartamento de um quarto para morar com a mulher, Ana Paula Todisco, 24, depois do casamento. A aquisio ocorreu em 2010, e o imvel, na Grande So Paulo, custou R$ 147.900. Era o que podamos pagar, conta Medeiros. O casal vive no imvel desde setembro do ano passado. Para Ana Paula, a compra foi tambm um investimento. Ela afirma que o apartamento deve valer atualmente cerca de R$ 270 mil.
 
Raciocnio semelhante seguiu o advogado Flavio Rocchi Jnior, 33 anos. Em maro, ele comprou um apartamento de um quarto na planta no Pacaembu, na zona oeste, por R$ 800 mil, onde pretende viver com a namorada, Ariane Longo, 32 anos. Gostamos do prdio e da localizao,  perto do metr e dos nossos trabalhos, explica Rocchi. No futuro, eles pensam em alug-lo e se mudar para uma casa mais ampla. Apartamentos maiores, hoje, tm um pblico restrito. Para os compactos h mais interessados, afirma ele, que  um investidor do mercado imobilirio.  
 
Fontes: Empresa Brasileira de Estudos do Patrimnio (Embraesp), Sindicato da Habitao de So Paulo (Secovi-SP), Sindicato da Habitao do Distrito Federal (Secovi-DF), Associao das Empresas do Mercado Imobilirio de Gois (Ademi-GO) e Sindicato da Indstria da Construo Civil no Estado do Rio Grande do Sul (Sinduscon-RS)


2. ESTILISTAS DE CINEMA
Designers renomados, como Giorgio Armani e Karl Lagerfeld, imprimem sua assinatura nos figurinos de filmes atuais e colocam a moda no circuito das grandes produes
Natlia Mestre

GRIFE - Karl Lagerfeld cuidou do visual de Cate Blanchet em Blue Jasmine, filme de Woody Allen
 
Trs ternos e dois vestidos de esttica futurista e cores metlicas compem o guarda-roupa da atriz Jodie Foster no recm-lanado filme de fico cientfica Elysium, que tem Matt Damon, Alice Braga e Wagner Moura no elenco. Mesmo que o filme se passe em 2154, os trajes minimalistas e bem cortados no negam a assinatura do designer italiano Giorgio Armani, que, em parceria com a figurinista April Ferry,  responsvel pelo figurino de Foster. Foi uma honra vestir minha amiga de longa data, disse Armani. Acho cativante o jeito com que ela interpreta o mundo de 2154 enquanto, ao mesmo tempo, torna minhas roupas atemporais, conclui o estilista, que este ano tambm desenhou os palets de Jack Goddard, personagem de Harrison Ford no longa Paranoia, previsto para estrear em 18 de outubro no Brasil.

Se o figurino  essencial ao cinema por ser o primeiro elemento de identidade do personagem, capaz de caracteriz-lo no tempo, no espao ou na condio social, imagine o valor dado ao filme que se associa a um grande nome da moda como Armani  ele fez sua estreia como figurinista em 1980, quando desenhou as roupas usadas pelo ator Richard Gere em Gigol Americano. A participao de um renomado estilista confere ainda mais glamour ao cinema, afirma Isabel Paranhos, professora de direo de arte para cinema da Pontifcia Universidade Catlica do Rio de Janeiro (PUC-RJ). Foi pensando nisso que, para seu mais novo filme, Blue Jasmine  previsto para estrear aqui no dia 15 de novembro , Woody Allen escolheu o maior nome da moda atual: o estilista e diretor criativo da Chanel, Karl Lagerfeld, assina o guarda-roupa de Cate Blanchet. A figurinista do longa, Suzy Benzinger, entrou em contato com o kaiser, que, dois dias depois, enviou dois casacos feitos sob medida para a atriz. Segundo Isabel, a associao a um nome de peso da moda gera um importante elemento de identificao com o espectador.

 o caso do vestido preto assinado por Hubert de Givenchy e usado por Audrey Hepburn em Bonequinha de Luxo (1961). Alm de ter um dos figurinos mais marcantes da histria do cinema, o filme foi responsvel por imortalizar o pretinho bsico como smbolo atemporal de elegncia e sofisticao. A atriz exigia Givenchy como seu figurinista e juntos eles atuaram em grandes sucessos, como Sabrina (1954) e Cinderela em Paris (1957). Para o estilista, trabalhar no cinema  interessante porque  a chance de sair do comercial e entrar no campo potico, da liberdade de criao dentro de um enredo, afirma Cristiane Rose Cndido, professora de figurino do curso de design de moda da Fundao Armando lvares Penteado. A parceria de estilistas com diretores tambm costuma render bons frutos. Juntos, o diretor espanhol Pedro Almodvar e o designer francs Jean Paul Gaultier j trabalharam em Kika (1993), M Educao (2004) e A Pele que Habito (2011), em que Gaultier assinou o guarda-roupa da personagem interpretada por Elena Anaya, composto basicamente de segundas-peles. Almodvar tambm j trabalhou com Lagerfeld nos longas De Salto Alto e Abraos Partidos (2009).  


3. O ASSASSINO DO FACEBOOK
Com histrico de aplicar golpes em mulheres que conhece pela internet, mecnico de Santa Catarina  o principal suspeito do assassinato da filha de sua namorada
Natlia Mestre

 FICHA - Jos Ademir Radol tem boletins de ocorrncia por estelionato e tentativa de estupro: ele mentiu o nome para a namorada 
 
Essa  mais uma histria que comeou com um golpe financeiro facilitado pela internet. O mecnico Jos Ademir Radol, 48 anos, conheceu a viva Leonilda Kurlapski, 48, por meio do Facebook. Para esconder a fama de golpista que possui em Mafra (SC) a 310 quilmetros de Florianpolis, ele se apresentou com a identidade falsa de Mrcio Melo. O relacionamento ganhou fora e ele passou a frequentar a casa onde ela morava com a filha, Aline Moreira, 18 anos. Trs meses de namoro foram suficientes para que Leonilda financiasse um carro para ele, um Fiat Uno. Foi com esse veculo, usando a desculpa de que precisava trocar os pneus do carro, que ele ofereceu uma carona para Aline at Curitiba, no Paran, onde a jovem encontraria o namorado. Infelizmente, Aline nunca chegou ao seu destino e a viagem acabou em tragdia. 

Os dois saram de Mafra na sexta-feira 27 de setembro. Horas depois, a jovem teria enviado mensagens  me e ao namorado pedindo socorro. Segundo Leonilda, Radol chegou a entrar em contato com ela e afirmou ter deixado a jovem na Rodovia do Xisto, em Curitiba, aps o carro dar problemas mecnicos. Ele insistiu em v-la, mas, com medo e com a filha desaparecida, ela recusou. O corpo da jovem foi encontrado na tera-feira 1 com hematomas na cabea, sem roupas e j em estado de decomposio. Estava em um matagal s margens da estrada, a 40 quilmetros de Rio Negro, regio metropolitana de Curitiba. H a suspeita de que ela tenha sofrido abuso sexual. Esses encontros marcados por internet, quando no se sabe quem  a pessoa que est do outro lado, geralmente apresentam problemas, diz o delegado Sergio Luiz Alves, responsvel pela investigao. Segundo ele, Radol era famoso pelos golpes que dava em mulheres que conhecia nas redes sociais.

PERIGO - Aline, 18 anos, pegou carona com Radol e foi encontrada morta na tera-feira 1
 
At o momento, o mecnico  o nico suspeito do crime. Ele foi preso na sexta-feira 4 em Santa Ceclia (SC). Radol possui dois boletins de ocorrncia registrados contra ele em Santa Catarina, um por estelionato e outro por tentativa de estupro. Segundo a polcia, testemunhas viram Aline e Radol na estrada, a p, por volta das 21h da sexta-feira 27, pedindo ajuda. Uma hora depois, ele caminhava sozinho e tentava cobrir o rosto.  


4. OS PRIMEIROS PROTESTANTES BRASILEIROS
Em trabalho indito, historiadora revela que a primeira igreja evanglica do Brasil foi criada por ndios da tribo potiguara convertidos por holandeses em Pernambuco. Perseguidos pelos portugueses, eles se refugiaram no Cear
Joo Loes

Muito se fala do legado das invases holandesas no Brasil, que duraram quase trs dcadas durante o sculo XVII. A cidade do Recife, por exemplo, quartel-general dos invasores em Pernambuco, guarda at hoje as marcas do urbanismo batavo, com ruas e avenidas de traado reto e pouco usual para a poca. Em museus do Brasil e do mundo, sobrevive a arte de gnios holandeses da pintura e da botnica como Albert Eckhout e Frans Post, que documentaram o Brasil com cores e formas incomuns em outros registros. A partir de agora, um lado mais obscuro, mas no menos importante, da herana holandesa deve ganhar renovada ateno: o religioso. No livro A Primeira Igreja Protestante do Brasil (Ed. Mackenzie, 2013), lanado na semana passada, a historiadora e professora cearense Jaquelini de Souza conta a histria da Igreja Reformada Potiguara, criada por ndios com apoio holands e mantida em funcionamento pelos nativos mesmo depois da expulso desses colonizadores pelos portugueses.
 
Como a histria de qualquer igreja em seus primrdios, a da Igreja Potiguara comea confusa, com a ida para a Holanda, em 1625, daqueles que viriam a ser duas de suas maiores lideranas indgenas. Pedro Poty e Antnio Paraupaba, ndios potiguaras, embarcaram para os Pases Baixos em junho daquele ano sem saber bem o que fariam por l. Ao aportar, foram apresentados ao que o pas tinha de melhor, receberam educao formal e religiosa de ponta e logo se converteram ao protestantismo. Mas, diferentemente do que costumava acontecer com ndios que iam  Europa com os ingleses e os franceses, cinco anos depois Paraupaba e Poty voltaram ao Brasil, em data que coincide com o incio da segunda invaso holandesa (leia quadro) no Pas. Por aqui, assumiram funes administrativas, militares e espirituais. Aos poucos, deram corpo, com outros ndios igualmente educados na f, a um programa intenso de catequese e de formao de professores reformados indgenas. Incipiente, a igreja em formao se reunia nas aldeias e fazia batismos, casamentos, profisses de f e ceias do senhor. J era a Igreja Potiguara porque, teologicamente, havendo dois ou trs reunidos em nome de Deus, independentemente do lugar, est ali uma igreja, diz Jaquelini.
 
Pouco na nascente igreja a fazia diferir de outras experincias religiosas europeias nas Amricas. Havia o componente protestante, que aproximava o ndio do colonizador de forma indita por colocar a educao do nativo como pr-requisito para sua converso, algo que os catlicos pouco faziam. Mas, ainda assim, tratava-se de uma experincia religiosa mediada por uma fora impossvel de ignorar: a de colonizador sobre colonizado. Por isso, argumento que foi s depois da expulso dos holandeses que vimos aflorar a verdadeira Igreja Potiguara, diz Jaquelini. Expulsos do Brasil em 1654, os batavos abandonaram os potiguaras convertidos e outros nativos, aliados polticos e militares contra os portugueses,  prpria sorte. Mesmo assim, a maioria dos protestantes manteve sua f. Refugiados dos portugueses na Serra da Ibiapaba, no Cear, onde chegaram depois de caminhar 750 quilmetros do litoral pernambucano ao serto, eles continuaram praticando a f protestante e chegaram a converter ndios tabajaras, que tambm estavam no refgio. Enquanto isso, Paraupaba, j tido como um brilhante historiador e profundo conhecedor da Bblia, tentava, na Holanda, apoio para os refugiados  um esforo que no rendeu frutos imediatos.
 
Nada, porm, tirou o peso da experincia protestante na Ibiapaba. Um relato do famoso padre Antnio Vieira, jesuta portugus incumbido de relatar  Companhia de Jesus o que acontecia na regio, d o tom ao batizar o lugar de Genebra de todos os sertes. A cidade de Genebra est para os protestantes como o Vaticano est para os catlicos. Em outro trecho, Vieira diz que os ndios esto muitos deles to calvinistas e luteranos como se nasceram em Inglaterra ou Alemanha. No se sabe ao certo o que restou dos ndios da Igreja Potiguara depois que o grupo se desfez, ao que tudo indica, passados seis anos de vida em comunidade na Ibiapaba. Especula-se que alguns se juntaram aos opositores dos portugueses durante as Guerras dos Brbaros a partir de 1688. Outros teriam voltado ao catolicismo ou s religies nativas. O que fica para histria  que esses ndios foram os primeiros brasileiros protestantes. E que a Igreja Reformada Potiguara foi a primeira igreja evanglica do Brasil.


5. TO PERIGOSA QUANTO A DEPRESSO PS-PARTO 
Pesquisas mostram o quanto a ansiedade pode ser prejudicial s novas mes. Ela  mais comum do que o estado depressivo
Mnica Tarantino

Depois do nascimento do beb, os mdicos e a equipe de sade costumam ficar atentos para observar se a mulher apresenta sinais de depresso. No entanto, um estudo recente feito pelo pediatra Ian Paul, professor de pediatria e sade pblica da Faculdade de Medicina da Universidade Penn State, nos Estados Unidos, mostra que  urgente monitorar tambm as variaes de humor relacionadas  ansiedade. Descobrimos que 17% das 1.100 parturientes que acompanhamos por seis meses, desde a internao at o parto, tinham sinais de ansiedade em graus variados, disse Paul  ISTO. A descoberta surpreendeu porque equivale a dizer que cerca de uma em seis mulheres pode se ver enredada pela ansiedade nessa fase. Constatamos que sintomas desse distrbio so mais comuns que os de depresso, encontrados em 6% das mulheres dessa pesquisa, analisa Paul. O estudo foi publicado pela Pediatrics, da Academia Americana de Pediatria.   

O trabalho de Paul mostrou ainda que o desconforto emocional causado pela ansiedade pode interferir na liberao de ocitocina, um hormnio que age na contrao dos ductos mamrios e permite que o leite seja expulso do peito. Uma das consequncias dessa mudana pode ser o aumento da dificuldade de liberar leite, obrigando o beb a sugar com mais fora, exemplifica a enfermeira obsttrica Islia Silva, da Faculdade de Enfermagem da Universidade de So Paulo (Usp). Ela orientou uma tese de mestrado sobre o impacto da ansiedade na amamentao. Se a mulher ficar ainda mais ansiosa ao perceber que o beb precisa se esforar muito para mamar, cria-se um ciclo que pode desencadear outras respostas do organismo. H chance de a conteno de leite no peito levar o corpo a entender que deve reduzir a produo, diz a enfermeira Islia.

ATENO - Bernik, da USP, diz que a ansiedade da gestante deve ser avaliada desde o incio 
 
A professora de ginecologia e obstetrcia Dana Gossett, da Universidade Northwestern, nos Estados Unidos, decidiu medir o grau de angstia de 461 mulheres no ps-parto. Onze por cento delas tinham ansiedade muito elevada e algumas manifestavam comportamentos obsessivos-compulsivos, diz a especialista. Um dos sinais encontrados com maior frequncia por Dana no grupo estudado era a preocupao em checar repetidas vezes se a criana no tinha parado de respirar ou se cara do bero. Novas entrevistas feitas seis meses depois mostraram sintomas mais amenos em metade do grupo. As outras, porm, continuavam lidando com o sentimento nos seus mais diversos matizes. A pesquisa, publicada pelo Journal of Reproductive Medicine, foi motivada pela experincia da prpria mdica, que sofreu com pensamentos indesejveis e repetitivos aps o parto do primeiro filho. Eu queria verificar se o mesmo ocorria a outras mulheres, disse Dana. 

O psiquiatra Mrcio Bernik, coordenador do Ambulatrio de Ansiedade do Instituto de Psiquiatria da Usp, afirma que  essencial monitorar a evoluo da ansiedade das jovens mes. O ps-parto  um momento em que pode haver recadas de comportamentos ansiosos que podem estar presentes h mais tempo, comenta o especialista.
 
Tambm existe a possibilidade de as aflies e angstias fora do normal sentidas pela primeira vez aps a chegada do beb no desaparecerem por si s, sem tratamento. Por isso, os profissionais da sade devem aprender a diferenciar a ansiedade normal daquela patolgica, que leva a prejuzos funcionais ou a sofrimento excessivo, orienta o psiquiatra da USP. As formas mais comuns da ansiedade que escapa ao controle so os chamados transtornos do pnico, de ansiedade generalizada ou o transtorno obsessivo-compulsivo (TOC). 
Antes de quatro semanas, afirma Bernik, a ansiedade pode ser considerada uma manifestao normal em um perodo de grandes ajustes. Nessa fase, h chance de ser aliviada com orientao e psicoterapia de apoio. O suporte de uma enfermeira ou de uma me mais experiente tambm auxilia, diz ele. O pediatra americano Paul acha que os mdicos precisam ajudar. Gastar um pouco mais de tempo com as mes pode reduzir sua ansiedade, aconselha. 

Na Faculdade de Enfermagem da USP, so atendidas mulheres cuja ansiedade atrapalha a amamentao. s vezes, uma boa conversa com uma assistente social ou enfermeira treinada  suficiente para a mulher se tranquilizar e retomar a amamentao, diz Islia. Se os sintomas persistem por mais de quatro a seis semanas, a conduta recomendada  buscar um psiclogo ou psiquiatra para fazer o diagnstico e avaliar as opes de tratamento. 


6. EXAGERO NA RSSIA
Presa com outros ativistas da ecologia na regio rtica, brasileira  acusada de pirataria e pode pegar 15 anos de cadeia. Famlia est sem contato com ela e apela  Dilma
Mariana Brugger

VIGIADA - Ana Paula Maciel estava presa at na audincia com o juiz. Ela e outras 29 pessoas protestavam contra a explorao de petrleo no rtico  
 
Na casa da famlia Maciel, em Porto Alegre, as noites no so mais as mesmas desde a madrugada da quarta-feira 2, quando o telefone tocou. A matriarca, Rosangela, atendeu a ligao e soube que sua caula, Ana Paula Maciel, 31 anos, que  ativista do Greenpeace e est em priso preventiva na Rssia desde 19 de setembro, fora acusada formalmente de pirataria. Isso significa que, se condenada, poder pegar pena de at 15 anos de recluso, assim como outros 29 colegas. Todos eles, integrantes da ONG mundial que promove campanhas e atos para a preservao do meio ambiente, esto sendo investigados. Eles participaram de um protesto contra a explorao de petrleo no rtico. Pirataria  o crime mais severo no qual eles poderiam ser enquadrados.
 
Por enquanto, no  possvel saber se a brasileira conseguir, pelo menos, aguardar a investigao em liberdade. O Greenpeace tenta reverter a situao com o apoio do Ministrio das Relaes Exteriores, que acompanha o caso. A famlia considera que o Itamaraty tem feito o possvel e apela, agora,  presidenta Dilma Rousseff para conseguir, pelo menos, que ela possa falar por telefone com os pais.  uma acusao absurda. Eles no so piratas. Os ativistas estavam enjaulados at na audincia com o juiz, diz o advogado Srgio Leito, diretor de polticas pblicas do Greenpeace Brasil. Isso  ultrajante e representa um ataque ao direito fundamental de protesto pacfico, afirmou, em nota, Kumi Naidoo, diretor-executivo do Greenpeace Internacional. O prprio presidente russo, Vladimir Putin, j negou que os ativistas sejam piratas. O grupo estava no navio quebra-gelo da organizao, o Arctic Sunrise, e alguns tentaram escalar a plataforma de petrleo da empresa Gazprom para exibir uma faixa de protesto. Na sexta-feira 4, o governo da Holanda, onde fica a sede do Greenpeace, decidiu brigar pelo grupo. Deu incio a um processo de arbitragem contra a Rssia com base na conveno da ONU sobre o direito ao mar. Os russos tero de explicar em tribunal internacional.
 
No Brasil, a famlia de Ana teme por seu futuro, mas elogia seu ativismo ecolgico. Sinto muito orgulho, diz a me, Rosangela. Como marinheira do Greenpeace desde 2006, ela defendeu causas em todos os navios da organizao, um dos trabalhos mais complexos da ONG. Estudiosa, aprendeu ingls sozinha, gosta muito de ler e detesta frio. Se pudesse, escolheria s locais ensolarados, mas embarca sempre para defender uma bandeira, no importa onde seja, afirma a me. 

